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sábado, 21 de outubro de 2017

Música Tema

Prompt  - Você vive em um mundo onde super-herois possuem naturalmente suas próprias músicas tema. Quanto mais épica a música mais poderoso será o herói. Um dia, enquanto um super-vilão ataca a sua cidade e ninguém chega para salva-la, você sente uma estranha energia fluir pelo seu corpo e “The Touch” do Stan Bush começa a tocar de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo...



O dia estava lindo. A temperatura estava agradável, o sol brilhava, as pessoas caminhavam alegremente pelo calçadão. Nenhum ataque acontecia em nossa cidade há dias, todos estavam felizes. Eu e um amigo saíamos do mercado com nossos sorvetes.
-Ah, tu viu que ontem, lá no Oriente Médio, surgiu uma heroína com o tema de Verdi: Requiem Dies irae?– perguntei ao meu amigo.
-Puta merda! ‘Tá zoando? 
- Muito louco né, eu sei. Parece que ela chegou do nada e acabou com a guerra sozinha. Não poupou ninguém, não importa de qual lado estavam!
Meu amigo havia parado no meio do caminho e balançava a cabeça, atônito.
-Cara...isso é espetacular! Com certeza ela vai ganhar o prêmio de Melhor Música Tema do Ano. Não vai ter nem graça.
-HA! Tu disse a mesma coisa pro cara de anteontem com a Rejoin- debochei dele.
-Ah cala a boca!
Continuamos nosso caminho teorizando sobre quais poderes os últimos heróis e heroínas descobertos poderiam ter. Tudo corria muito bem até que uma explosão enorme sacudiu a cidade. O foco da explosão era algumas quadras à frente e uma multidão fugia correndo em nossa direção. A poeira mal tinha começado a abaixar quando uma risada maligna de gelar a espinha preencheu o ar.
- Rápido, por aqui – disse o meu amigo enquanto puxava meu braço para uma rua lateral - vamos pegar uma boa visão de quem for chegar e acabar com ele!
Corremos entre as pessoas que fugiam desesperadas do foco do ataque. Éramos acompanhados de outras pessoas que possuíam tanto juízo quanto nós e que também queria ver a luta que estava prestes a começar. Entramos em alguns becos e subimos em um prédio pequeno, havia umas vinte pessoas com a gente. O topo do prédio nos dava uma ótima visão do super-vilão e do que seria o campo de batalha. Ele era enorme e horrível, no mínimo uns 15 metros, cheio de bolotas pelo corpo, com apenas um olho e uma bocarra. Soltava laser das mãos e explodia casas e carros que estavam por perto. “Pequenos” monstros saiam das bolotas em seu corpo e quebravam tudo que estava pelo chão.  Já não havia nenhum pedestre por ali, tampouco um herói. Eu pude sentir o medo começar a surgir no meu coração assim como nas pessoas ao meu redor. Onde estava o herói? Onde estava a música tema? Era uma cidade grande, com certeza tem um herói por aqui.
E então, surgindo completamente do nada, uma música começou a tocar e o medo em meu coração foi substituído por algo que eu nunca havia sentido antes. Meus braços arderam e começaram a brilhar. Olhei para o meu amigo que estava com uma expressão de completo assombro.
-Não! – disse ele.
-Sim!
-Cara, tu sabe que música é essa? CARALHOTAS , ISSO É THE TOUCH!

After all is said and done
You've never walked, you've never run,
You're a winner

Um arrepio percorreu todo o meu corpo acompanhado de uma corrente elétrica. Eu podia sentir a energia borbulhando dentro mim. As pessoas ao meu redor se afastaram assombradas, nenhum de nós jamais havia visto o surgimento de um novo herói.
- Vai lá cara, VAI! – a expressão de assombro do meu amigo havia sido substituída por empolgação.
Sentindo a energia percorrer o meu corpo eu corri até a beirada do prédio e pulei para a rua. Mal deu para sentir o impacto, isso era incrível!

You’re at your best when the goin’ gets rough
 You’ve been put to test, but is never enough

                De repente, o céu acima de mim começou a escurecer. Nuvens de tempestade giravam e um tornado surgiu ao meu redor me elevando em direção ao céu, ao olho da tempestade. Descargas elétricas me atingiam e me davam poder. Era uma sensação incrível. O tornado sumiu tão rápido quanto havia surgido, eu ainda estava flutuando e usando toda a minha experiência de observação fiz um pouso de super herói. De algum jeito o tornado havia mudado as minhas roupas e me deixado digno de um super herói. Capa, roupa de lycra e botas.

It's in the blood, it's in the will
It's in the mighty hands of steel
When you're standin' your ground


            Sem pensar duas vezes parti em direção ao super vilão, ele havia notado o tornado e comandou sua tropa de minions das trevas atacarem. Eles sequer representaram algum desafio, meus punhos explodiam-nos em fumaça ao menor toque. A minha Música Tema era magnifica, vinda de lugar nenhum e de todos os lugares ela preenchia cada canto da cidade, me dando forças e dando esperanças para os cidadãos.

You know that when things get too tough
You got the touch

            O super-vilão percebeu que seus minions não eram páreos para mim e partiu em minha direção com um urro de fúria que sacudiu a cidade. Concentrando toda minha força em meu punho esquerdo dei um único murro na cara do super vilão que despencou no chão totalmente imóvel. A cidade explodiu em vivas e palmas. Subi em cima do peito do derrotado, estufei o peito, pus as mãos na cintura e fiz a pose mais magnifica que eu pude imaginar, torcendo para que minha capa estivesse colaborando e balançando ao vento. Enquanto isso os dois últimos versos da minha Musica Tema ecoavam pela cidade.

You got the touch
You got the power




Prompt retirada de http://writing-prompt-s.tumblr.com/post/148537780575/you-live-in-a-world-where-superheroes-are

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Bar

Prompt  – Você e seu pior inimigo são imortais. Vocês lutaram quando crianças, lutaram um contra o outro em guerras, até concorreram um contra o outro em partidos políticos. Um dia você esbarra com ele em um bar.

A cidade continuava agitada mesmo nas tardes horas da noite. O som dos carros, trens e pedestres podiam ser ouvidos a quilômetros de distancia. As calçadas lotadas tornavam difícil se locomover sem empurrar ninguém. A essa hora ninguém prestava atenção em nada, cansadas de um dia longo de trabalho, e desejando apenas o conforto de seus lares, as pessoas mal prestavam atenção ao seu redor. Aparentemente isso nunca iria mudar. Elas se sentiriam melhores se soubessem que isso também acontecia no grandioso Império Romano? Não, provavelmente não.
Essa noite a imortalidade trazia um peso a mais: o cansaço. O corpo doía e se movia com lerdeza, os ombros encurvados ante o peso de tantos anos e o esforço constante para não suspirar a cada lenta respiração. O puro e simples cansaço. Seus pés conheciam tão bem esse caminho que ele nem precisava pensar para onde ia. Algumas ruas e trombadas depois  as velhas, enferrujadas e maravilhosas portas do bar surgiram. Parou diante delas, respirou fundo, suspirou e entrou.
O barulho do tráfego e dos pedestres cessou quase que imediatamente quando as portas do bar se fecharam. Bar talvez fosse uma palavra muito forte, na verdade estava mais para um boteco meia boca. No entanto, era limpo e é isso que importa. O assoalho de madeira estava desgastado e lascado em alguns pontos, o teto não tinha forro, as vigas de madeira e a fiação ficavam a mostra. Ainda assim não havia sequer um buraco no teto. As mesas e mesinhas, em sua maioria desocupadas, se espalhavam pelo bar. Os únicos sons audíveis eram o bater dos copos nas mesas e o The Steel Samurai que tocava de fundo em loop. Ah, o velho Jukebox sempre esteve em ótimas condições.
A meia dúzia de pessoas que ocupavam as mesinhas exibia a mesma aura de cansaço, os olhos baixados para os copos em sua frente, cada uma delas separadas por no mínimo três mesas umas das outras, sem um pingo de vontade de conversar, cada uma remoendo seus próprios problemas e demônios. Esse era o diferencial desse boteco. Esse era o lugar para se isolar da cidade e até mesmo daqueles que sentavam ao seu lado. Ninguém ali iria lhe incomodar. Cada um com seu copo.
O homem contornou o labirinto de mesas em direção aos bancos altos em frente ao bar. O dono do bar era meio caduco e parecia não reparar no homem que ocupava o mesmo banco há quarenta anos sem nunca envelhecer sequer um dia. O senhor o olhou com um ar interrogativo.
-Um duplo – disse o homem.
Apesar da idade e do aparente problema mental o dono do bar era rápido e efetivo, nunca demorando a atender quaisquer fossem os pedidos. O senhor entregou o copo e o homem entornou tudo em um gole só, batendo o copo no tampo da mesa se juntando a orquestra de copos.
-Outro – pediu o homem.
-Dia difícil, camarada? – comentou uma pessoa à sua esquerda.
O homem bufou secamente, aparentemente era alguém novo ali que não conhecia as regras silenciosas do bar. Ao se virar para responder, as palavras ficaram presas em sua garganta ao ver quem era. Uma tonelada de lembranças invadiu sua cabeça, todas elas eram de lutas e discussões.  O rosto que ele conhecia tão bem quando o próprio transmitia a mesma aura de cansaço presente nos outros ocupantes do bar.
-Você!? – disse o homem.
O outro homem havia feito o comentário sem tirar os olhos do seu próprio copo, mas ao ouvir o tom de voz da resposta se virou rapidamente e teve a mesma reação.
-Não acredito nisso- disse o outro homem, com os olhos arregalados.
Os dois homens se encaram, totalmente surpresos. Quanta ironia do destino fazer dois inimigos imortais se encontrarem assim em um bar qualquer em uma cidade qualquer. Quanto tempo havia se passado desde a última vez que se enfrentaram? Dez anos? Seis meses? Foi nas eleições para deputado ou na guerra? Depois de tantos anos e tantas disputas era difícil se lembrar com exatidão de cada acontecimento.
Depois de algum tempo os dois homens riram amargamente e tomaram suas bebidas. Cada um pediu outra dose com apenas um sinal. O homem olhou para o outro, ainda surpreso por encontra-lo em um lugar como esse e com uma aparência tão cansada.
-A última vez que te vi tão cansado assim os franceses estavam decapitando os nobres-  disse ele com desdém.
-Ha, quem imaginaria que aqueles plebeus estariam tão putos com os nobres – respondeu o outro homem enquanto suas bebidas chegavam – a ultima vez que eu te vi tão cansado assim as pirâmides ainda nem estavam prontas!
Os dois homens conversavam em voz baixa, sem nunca olhar um para o outro. Fitavam apenas o fundo de seus copos. Mais uma rodada de bebidas, mais comentários. Outra rodada. Outro comentário.  Rodada. Comentário. Rodada... Comentário...
Eles continuaram assim até o bar ficar completamente vazio. Então os comentários eram feitos em voz alta. Comentários. Rodada.
Os dois homens só pararam quando o dono do bar anunciou que iria fechar. Em completo silencio deixaram o dinheiro no balcão e  cambalearam em direção à porta. Colocaram seus casacos e saíram para a noite fria e barulhenta da cidade. Sem dizer uma palavra viraram em direções opostas e cada um seguiu seu caminho. Tão cansados quanto estavam quando chegaram. Na verdade, um observador atento notaria que seus ombros estavam levemente mais eretos, suas cabeças não tão baixas e os suspiros menos frequentes.

A cidade continuava agitada mesmo nas horas que precedem o amanhecer. O som dos carros, trens e pedestres podiam ser ouvidos a quilômetros de distancia. As calçadas lotadas tornavam difícil se locomover sem empurrar ninguém. Há essa hora ninguém prestava atenção em nada, cansadas de uma noite mal dormida e desejando apenas o conforto de seus lares, as pessoas mal prestavam atenção ao seu redor, todas a caminho de seus trabalhos. Aparentemente isso nunca iria mudar. Elas se sentiriam melhores se soubessem que isso também acontecia na Inglaterra da Revolução Industrial? Não, provavelmente não.




Prompt retirada de http://writing-prompt-s.tumblr.com/post/148413174451/you-and-your-worst-enemy-are-immortal-you-got 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

História Nova

 Eaí, beleza? Depois de alguns séculos sem atualizar o blog estou trazendo uma nova historia! Sim, podem comemorar ou não.  Novamente peço todo aquele ritual de que se gostar compartilhar, comentar sobre o que achou e de preferência com seu nome junto. Valeu e espero que curtam.

domingo, 14 de julho de 2013

????

      Tudo estava queimando. Tudo estava caindo. As tempestades varriam campos, cidades, florestas, planícies e tudo o que encontra pela frente. Vulcões e incêndios queimavam o que sobrava. Pragas e pestes espalhavam-se pelos ares. As enchentes e tsunamis lavavam os restos, preparando o terreno para o combate. O Céu se abriu assim como a Terra, revelando que não estávamos sozinho nesse mundo. Tudo aquilo que julgávamos ser apenas histórias de pessoas de mentes fechadas e ignorantes, provou ser verdade.
       Anjos e demônios chegaram para trazer  o fim do mundo.