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domingo, 26 de novembro de 2017

Wattpad e Twitter

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Me sigam lá =]

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Imperfeição

Cada marca e cicatriz
revela uma batalha
Cada estria e celulite
revela um crescimento
Cada pinta e espinha
Forma as constelações
Que enfeitam nosso corpo

A soma de tudo isso
Nos deixa mais belos
Cada detalhe, cada imperfeição
Conta uma história própria
Pequenas historias que vão se agrupando
Para no fim formar a nossa historia

Nosso corpo é o nosso pequeno universo

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A cidade segue em frente

A cidade segue em frente
Você chega cansada em casa
Acordou, comeu, tomou banho
Pegou o ônibus, trabalhou, outro ônibus
Chegou, comeu, dormiu
E a cidade segue em frente

A criança brinca, se machuca, chora e volta a brincar
O adolescente em desespero chora, grita e bate
E quanto àquele senhor sentado no parapeito?
Ele contempla as luzes com velho senhor Barreiro
Mas você sabe
A cidade segue em frente

As luzes da cidade veem tudo
Elas sabem sobre aqueles remédios
Aqueles que estão atrás do armário do banheiro
Elas viram quando você chutou aquele cachorro
E não pense que elas não viram aquela moça
Aquela que bateu e xingou seus avós
Mas você sabe
A cidade segue em frente

A cidade e suas luzes não se importam
Elas estarão aqui para sempre
As luzes se tornarão estrelas
O vento não será capaz de varrer o concreto e o asfalto
Tampouco as bombas serão capazes de leva-los ao esquecimento
Ela sabe disso, e é por isso que

A cidade segue em frente

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Livros

Livros
na estante de um quarto
organizados em ordem alfabética, por numero de paginas e gênero
todos sem um grão de pó
suas lombadas retas, os títulos intactos
livros em perfeito estado de conservação.

Mas para que serve uma lombada se não
para estar curvada depois de tantas leituras?
Para que servem os títulos pomposos se não para estarem desgastados de tanto serem manuseados?
Para que servem os capítulos de cortar o coração se não para terem suas paginas marcadas por lagrimas?
Para que servem os dias frios e as bebidas quentes se não para serem acidentalmente derramados sobre as páginas?
Para que servem as historias se não para terem suas próprias historias?

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A voz que vem de cima

Prompt - Você grita algo para os céus. Para sua surpresa, uma voz vinda de cima responde.
Sexta-feira 20h: 00min Rafael finalmente chega em casa depois de mais uma tortuosa semana de trabalho. Rafael estava cansado, entediado e irritado. Irritado com seu trabalho entediante, sua rotina entediante e sua vida entediante.
Entrou em sua casa minúscula, atirou a pasta em um canto e se jogou na cama. Ficou deitado por um bom tempo até que seu estomago protestou contra a falta de comida que andava recebendo. Mais se arrastou do que caminhou até a cozinha e abriu a geladeira praticamente vazia exceto por uma garrafa d’gua e um ovo. Abriu o armário e pegou o ultimo pacote de miojo. Encheu a panela com agua e levou ao fogão. Em um momento de clareza e irritação Rafael percebeu que andara jantando miojo com ovo nos últimos vinte dias. Em um acesso de raiva ele pegou a panela cheia de agua quente, atropelou tudo em seu caminho até seu minúsculo quintal atrás de sua minúscula casa e atirou a panela no chão espirrando agua quente para todos os lados. Ergueu seus punhos para o nublado céu noturno e berrou:
-PORQUE A MINHA VIDA É TÃO ENTEDIANTE?
Nem meio segundo depois uma voz feminina vinda do céu respondeu:
-Ih cara, como é que eu vou saber? Já tentou adotar um cachorro?
Rafael ficou pasmo. Nunca fora muito religioso e não estava esperando uma resposta divina. Baixando lentamente seus braços  perguntou:
-D-Deus? É o Senhor?
Uma gargalhada irrompeu pela noite acompanhada de uma trovoada.
-Eita, ‘tá trovejando, era só o que me faltava. Olha, lamento te desapontar e tudo o mais, mas não sou nenhuma Deusa. ‘Tô só de passagem viu.
Rafael ficou confuso. As nuvens tampavam a lua e ele não conseguia ver de onde estava vindo a voz.
-Como assim? Onde você está?
-Tu é cego por acaso? Aqui ó, no balão.
Um feixe de luz surgiu no meio do nada e iluminava um rosto sorridente, depois iluminou parte de um grande balão azul escuro. Os olhos de Rafael brilharam de alegria.
-Um balão! Sempre quis voar em um desses.
-É mesmo? Tem espaço pra mais um se tiver interesse...
Rafael já ia responder que não queria, afinal havia sido outra longa semana de um trabalho enfadonho. No entanto, hesitou. Olhou para a panela aos seus pés, olhou para sua casa minúscula e seu quintal minúsculo.
-Você realmente está convidando alguém que nunca viu antes? Não acha que isso pode ser meio perigoso?
- Alguém que esbraveja para os céus o quanto sua vida é entediante e acha que Deus responderia a um grito desses realmente não apresenta perigo. Além do que eu sei cuidar de mim mesma.
Ele não sabia se via isso como uma ofensa ou não, então decidiu ignorar até mesmo pelo tom de deboche na voz da jovem.
- Tudo bem, eu aceito o convite.
A garota sorriu e seu rosto sumiu junto do feixe de luz da lanterna. Alguns instantes  depois a luz voltou e iluminava uma escada de corda. Rafael olhou para trás, respirou fundo e subiu. Ventava um pouco e a escada balançava assustadoramente fazendo com que Rafael demorasse a subir enquanto a garota ria aos montes na cesta.
Depois de um esforço hercúleo Rafael conseguiu subir até a cesta. A cesta era mais espaçosa do que ele imaginou, havia espaço suficiente para ele e a garota ficarem confortáveis mesmo com as mochilas e cobertores que ela trazia junto.
Agora que estava mais perto Rafael viu que a jovem deveria ter mais ou menos a sua idade. Ela deu um passo à frente e estendeu a mão.
-Muito prazer, meu nome é Barbara.
-Olá Bárbara, meu nome é Rafael... Então, para onde vamos?
-Uau, acabamos de nos conhecer e já está fazendo as grandes questões da vida? – respondeu ela com um sorriso debochado.
Outra trovoada interrompeu a resposta de Rafael. Bárbara se escorou na beirada da cesta e olhou preocupada para o céu.
- Espero que não chova forte se não nós vamos morrer – disse ela com um sorriso.
-Que? Como pode dizer isso com um sorriso no rosto? Nós vamos morrer!
-Que nada, eu tô cagada de medo. Só que esqueci de ver a previsão do tempo antes de sair, então agora já era – disse ela enquanto vasculhava suas mochilas - Quem sabe poderíamos gritar para o céu e ver se alguém responde novo, tenho quase certeza que eu tenho um megafone em algum lugar.
-Ha ha, como você é engraçada.
Bárbara continuou vasculhando suas mochilas então Rafael se escorou na cesta e observou a cidade abaixo. Ele percebeu que haviam ganhado altitude desde que subiu a bordo do balão. Estavam chegando à saída da pequena cidade. Rafael estava começando a se perder em seus pensamentos quando a voz de Bárbara o trouxe de volta.
-Achei!
Rafael se virou esperando ver o tal megafone e preparou uma resposta sarcástica que ficou presa em sua garganta ao ver a enorme sacola cheia de sanduiches  nas mãos de Bárbara.
- Meus Sanduiches Especiais! – cantarolou ela com um grande sorriso.
-oh, especiais - respondeu Rafael - O que tem neles?
-Minha mistura especial de mostarda marrom, requeijão e pimenta do reino.
- O que tem de especial nisso?
-É especial porque eu gosto, ué - respondeu ela como se isso fosse a  coisa mais óbvia do mundo.
- Eu já estava quase esquecendo que estou morto de fome - babou Rafael enquanto via a garota abrir a sacola e espalhar os sanduíches.
- Se ‘tava com tanta fome porque jogou a tua panela no chão? - brincou ela.
Rafael ignorou a pergunta e deu uma enorme mordida no sanduiche. A Mistura Especial era realmente muito boa, causava uma certa confusão agradável de sabores.
-Eu não achava que isso seria tão bom - disse Rafael com a boca cheia de pão - o que mais tem aqui?
- Queijo e mortadela.
-Hm, prefiro presunto - respondeu enquanto terminava seu sanduiche em duas mordidas.
-Eu não - respondeu Bárbara com um sorriso e um dar de ombros enquanto abocanhava seu sanduiche .
-Nossa! Cara! Isso aqui é espetacular!
-Eu sei! É a minha comida favorita, fazia tanto tempo que eu não comia. Qual a sua comida favorita? - perguntou Bárbara com o rosto todo sujo da Mistura Especial.
-É... eu não sei? - respondeu ele, confuso - faz tanto tempo que só como miojo e comidas congeladas, já nem lembrava o gosto de comida normal.
-Isso explica o lance da panela.
-Mas se eu tivesse que escolher agora, seria o seu Sanduiche Especial.
- Muito obrigada, meu sanduiche é incrível mesmo! Fique a vontade pra comer quantos quiser já que é só isso que vamos comer enquanto essa viagem durar.
Rafael parou com um sanduiche na metade do caminho até sua boca e olhou para Bárbara tentando ver se ela estava brincando ou não, mas decidiu apenas dar de ombros e aceitar.
-Tudo bem.
Depois de devorarem mais alguns sanduiches e tomarem um pouco de chá, Rafael e Bárbara decidiram dormir um pouco. Cada um se enrolou em um coberto e adormeceram rapidamente.


-ACORDA RAFAEL, VAI PERDER O NASCER DO SOL! ACORDA! ACORDA! ACORDA!
Rafael acordou assustado com a gritaria, parecia que não havia dormido nada.
-Levanta dai! - Bárbara puxou Rafael pelo braço.
-Tá tá, calma. To de pé já, o que quer que eu veja?
-O nascer do sol, cabeção.
Rafael olhou para o horizonte. Estava levemente mais claro que o resto do céu.
-Nem consigo lembrar a última vez que vi o sol nascer - disse Rafael com um leve sorriso.
- Eu também não - respondeu Bárbara.
Os dois ficaram em silêncio apenas observando o horizonte. O céu já não estava tão nublado e as últimas estrelas iam desaparecendo. O Sol continuava subindo tingindo o céu de diferentes tons de laranja.  Abaixo do balão estendiam-se grandes campos de plantações agora iluminados pelo sol depois de tantos dias nublados.
- É tão lindo...
-É...
- Nunca mais vou ficar tanto tempo sem ver o sol nascer. Obrigado por me acordar.
-Não há de que.
Os dois voltaram ao silencio, observando a paisagem que ia se desenrolando abaixo deles.  Campos de plantações, campos de gado. Planícies e pequenos grupos de árvores. Rios e riachos. Um bando de pássaros até os acompanhou por um tempo. Em alguns pontos ao leste era possível ver estradas com  alguns carros. Passaram até por um trilho de trem. Aviões e monomotores sobrevoavam o balão.


A tarde se aproximava do fim, Rafael e Bárbara estavam novamente comendo os Sanduiches Especiais.
- Então, para onde estamos indo? - Perguntou Rafael.
-Isso importa? Estamos indo. Quando chegarmos lá descobriremos onde é.
-Então estamos apenas indo?
-Apenas indo.
Rafael olhou para o horizonte onde o sol terminava de se pôr.
-É,  parece ser um bom lugar para ir.
Bárbara sorriu contente
-Eu sei.



A noite avançava e os dois estavam jogando carta.
-Bati! Ha! Finalmente ganhei uma - comemorou Bárbara com uma dancinha sentada.
Rafael fechou a cara.
-Eu ainda estou ganhando.
-É claro que sim, Senhor Entediado - debochou Bárbara dando tapinhas na cabeça de Rafael.
A garota se levantou e se espreguiçou.
-Olha-  disse ela- estamos chegando à uma cidade. E olha quantas luzes, deve ser uma cidade grande.
Rafael também se levantou  para olhar.
- Hoje o céu está limpo e estrelado, isso vai dar uma visão e tanto.
Bárbara entendeu o que ele quis dizer.
-Ah isso vai ser tão lindo! Vamos pegar um pouco de altitude.

Eles ganharam altitude e adentraram o espaço aéreo da cidade. Foram presenteados com uma bela visão.
-É tão lindo.
- É maravilhoso.
-A cidade parece até o mar-
-Refletindo as estrelas.
-É como se estivéssemos sobre um espelho.
-Eu... Eu não tenho palavras...
Rafael e Bárbara ficaram estupefatos admirando por horas  a beleza daquela paisagem. A cidade já estava ficando para trás.
-Ei, Bárbara?
-Sim?
-Acho que vou adotar um cachorro.




Prompt retirada de http://writing-prompt-s.tumblr.com/post/147645950191/you-shout-something-at-the-sky-to-your-surprise

sábado, 21 de outubro de 2017

Onde me encontrar

Estou presente nas seguintes redes sociais onde também irei publicar meus trabalhos:

WattPad: https://www.wattpad.com/user/GuilhermePavao

Twitter: @guikyz


Música Tema

Prompt  - Você vive em um mundo onde super-herois possuem naturalmente suas próprias músicas tema. Quanto mais épica a música mais poderoso será o herói. Um dia, enquanto um super-vilão ataca a sua cidade e ninguém chega para salva-la, você sente uma estranha energia fluir pelo seu corpo e “The Touch” do Stan Bush começa a tocar de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo...



O dia estava lindo. A temperatura estava agradável, o sol brilhava, as pessoas caminhavam alegremente pelo calçadão. Nenhum ataque acontecia em nossa cidade há dias, todos estavam felizes. Eu e um amigo saíamos do mercado com nossos sorvetes.
-Ah, tu viu que ontem, lá no Oriente Médio, surgiu uma heroína com o tema de Verdi: Requiem Dies irae?– perguntei ao meu amigo.
-Puta merda! ‘Tá zoando? 
- Muito louco né, eu sei. Parece que ela chegou do nada e acabou com a guerra sozinha. Não poupou ninguém, não importa de qual lado estavam!
Meu amigo havia parado no meio do caminho e balançava a cabeça, atônito.
-Cara...isso é espetacular! Com certeza ela vai ganhar o prêmio de Melhor Música Tema do Ano. Não vai ter nem graça.
-HA! Tu disse a mesma coisa pro cara de anteontem com a Rejoin- debochei dele.
-Ah cala a boca!
Continuamos nosso caminho teorizando sobre quais poderes os últimos heróis e heroínas descobertos poderiam ter. Tudo corria muito bem até que uma explosão enorme sacudiu a cidade. O foco da explosão era algumas quadras à frente e uma multidão fugia correndo em nossa direção. A poeira mal tinha começado a abaixar quando uma risada maligna de gelar a espinha preencheu o ar.
- Rápido, por aqui – disse o meu amigo enquanto puxava meu braço para uma rua lateral - vamos pegar uma boa visão de quem for chegar e acabar com ele!
Corremos entre as pessoas que fugiam desesperadas do foco do ataque. Éramos acompanhados de outras pessoas que possuíam tanto juízo quanto nós e que também queria ver a luta que estava prestes a começar. Entramos em alguns becos e subimos em um prédio pequeno, havia umas vinte pessoas com a gente. O topo do prédio nos dava uma ótima visão do super-vilão e do que seria o campo de batalha. Ele era enorme e horrível, no mínimo uns 15 metros, cheio de bolotas pelo corpo, com apenas um olho e uma bocarra. Soltava laser das mãos e explodia casas e carros que estavam por perto. “Pequenos” monstros saiam das bolotas em seu corpo e quebravam tudo que estava pelo chão.  Já não havia nenhum pedestre por ali, tampouco um herói. Eu pude sentir o medo começar a surgir no meu coração assim como nas pessoas ao meu redor. Onde estava o herói? Onde estava a música tema? Era uma cidade grande, com certeza tem um herói por aqui.
E então, surgindo completamente do nada, uma música começou a tocar e o medo em meu coração foi substituído por algo que eu nunca havia sentido antes. Meus braços arderam e começaram a brilhar. Olhei para o meu amigo que estava com uma expressão de completo assombro.
-Não! – disse ele.
-Sim!
-Cara, tu sabe que música é essa? CARALHOTAS , ISSO É THE TOUCH!

After all is said and done
You've never walked, you've never run,
You're a winner

Um arrepio percorreu todo o meu corpo acompanhado de uma corrente elétrica. Eu podia sentir a energia borbulhando dentro mim. As pessoas ao meu redor se afastaram assombradas, nenhum de nós jamais havia visto o surgimento de um novo herói.
- Vai lá cara, VAI! – a expressão de assombro do meu amigo havia sido substituída por empolgação.
Sentindo a energia percorrer o meu corpo eu corri até a beirada do prédio e pulei para a rua. Mal deu para sentir o impacto, isso era incrível!

You’re at your best when the goin’ gets rough
 You’ve been put to test, but is never enough

                De repente, o céu acima de mim começou a escurecer. Nuvens de tempestade giravam e um tornado surgiu ao meu redor me elevando em direção ao céu, ao olho da tempestade. Descargas elétricas me atingiam e me davam poder. Era uma sensação incrível. O tornado sumiu tão rápido quanto havia surgido, eu ainda estava flutuando e usando toda a minha experiência de observação fiz um pouso de super herói. De algum jeito o tornado havia mudado as minhas roupas e me deixado digno de um super herói. Capa, roupa de lycra e botas.

It's in the blood, it's in the will
It's in the mighty hands of steel
When you're standin' your ground


            Sem pensar duas vezes parti em direção ao super vilão, ele havia notado o tornado e comandou sua tropa de minions das trevas atacarem. Eles sequer representaram algum desafio, meus punhos explodiam-nos em fumaça ao menor toque. A minha Música Tema era magnifica, vinda de lugar nenhum e de todos os lugares ela preenchia cada canto da cidade, me dando forças e dando esperanças para os cidadãos.

You know that when things get too tough
You got the touch

            O super-vilão percebeu que seus minions não eram páreos para mim e partiu em minha direção com um urro de fúria que sacudiu a cidade. Concentrando toda minha força em meu punho esquerdo dei um único murro na cara do super vilão que despencou no chão totalmente imóvel. A cidade explodiu em vivas e palmas. Subi em cima do peito do derrotado, estufei o peito, pus as mãos na cintura e fiz a pose mais magnifica que eu pude imaginar, torcendo para que minha capa estivesse colaborando e balançando ao vento. Enquanto isso os dois últimos versos da minha Musica Tema ecoavam pela cidade.

You got the touch
You got the power




Prompt retirada de http://writing-prompt-s.tumblr.com/post/148537780575/you-live-in-a-world-where-superheroes-are

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Bar

Prompt  – Você e seu pior inimigo são imortais. Vocês lutaram quando crianças, lutaram um contra o outro em guerras, até concorreram um contra o outro em partidos políticos. Um dia você esbarra com ele em um bar.

A cidade continuava agitada mesmo nas tardes horas da noite. O som dos carros, trens e pedestres podiam ser ouvidos a quilômetros de distancia. As calçadas lotadas tornavam difícil se locomover sem empurrar ninguém. A essa hora ninguém prestava atenção em nada, cansadas de um dia longo de trabalho, e desejando apenas o conforto de seus lares, as pessoas mal prestavam atenção ao seu redor. Aparentemente isso nunca iria mudar. Elas se sentiriam melhores se soubessem que isso também acontecia no grandioso Império Romano? Não, provavelmente não.
Essa noite a imortalidade trazia um peso a mais: o cansaço. O corpo doía e se movia com lerdeza, os ombros encurvados ante o peso de tantos anos e o esforço constante para não suspirar a cada lenta respiração. O puro e simples cansaço. Seus pés conheciam tão bem esse caminho que ele nem precisava pensar para onde ia. Algumas ruas e trombadas depois  as velhas, enferrujadas e maravilhosas portas do bar surgiram. Parou diante delas, respirou fundo, suspirou e entrou.
O barulho do tráfego e dos pedestres cessou quase que imediatamente quando as portas do bar se fecharam. Bar talvez fosse uma palavra muito forte, na verdade estava mais para um boteco meia boca. No entanto, era limpo e é isso que importa. O assoalho de madeira estava desgastado e lascado em alguns pontos, o teto não tinha forro, as vigas de madeira e a fiação ficavam a mostra. Ainda assim não havia sequer um buraco no teto. As mesas e mesinhas, em sua maioria desocupadas, se espalhavam pelo bar. Os únicos sons audíveis eram o bater dos copos nas mesas e o The Steel Samurai que tocava de fundo em loop. Ah, o velho Jukebox sempre esteve em ótimas condições.
A meia dúzia de pessoas que ocupavam as mesinhas exibia a mesma aura de cansaço, os olhos baixados para os copos em sua frente, cada uma delas separadas por no mínimo três mesas umas das outras, sem um pingo de vontade de conversar, cada uma remoendo seus próprios problemas e demônios. Esse era o diferencial desse boteco. Esse era o lugar para se isolar da cidade e até mesmo daqueles que sentavam ao seu lado. Ninguém ali iria lhe incomodar. Cada um com seu copo.
O homem contornou o labirinto de mesas em direção aos bancos altos em frente ao bar. O dono do bar era meio caduco e parecia não reparar no homem que ocupava o mesmo banco há quarenta anos sem nunca envelhecer sequer um dia. O senhor o olhou com um ar interrogativo.
-Um duplo – disse o homem.
Apesar da idade e do aparente problema mental o dono do bar era rápido e efetivo, nunca demorando a atender quaisquer fossem os pedidos. O senhor entregou o copo e o homem entornou tudo em um gole só, batendo o copo no tampo da mesa se juntando a orquestra de copos.
-Outro – pediu o homem.
-Dia difícil, camarada? – comentou uma pessoa à sua esquerda.
O homem bufou secamente, aparentemente era alguém novo ali que não conhecia as regras silenciosas do bar. Ao se virar para responder, as palavras ficaram presas em sua garganta ao ver quem era. Uma tonelada de lembranças invadiu sua cabeça, todas elas eram de lutas e discussões.  O rosto que ele conhecia tão bem quando o próprio transmitia a mesma aura de cansaço presente nos outros ocupantes do bar.
-Você!? – disse o homem.
O outro homem havia feito o comentário sem tirar os olhos do seu próprio copo, mas ao ouvir o tom de voz da resposta se virou rapidamente e teve a mesma reação.
-Não acredito nisso- disse o outro homem, com os olhos arregalados.
Os dois homens se encaram, totalmente surpresos. Quanta ironia do destino fazer dois inimigos imortais se encontrarem assim em um bar qualquer em uma cidade qualquer. Quanto tempo havia se passado desde a última vez que se enfrentaram? Dez anos? Seis meses? Foi nas eleições para deputado ou na guerra? Depois de tantos anos e tantas disputas era difícil se lembrar com exatidão de cada acontecimento.
Depois de algum tempo os dois homens riram amargamente e tomaram suas bebidas. Cada um pediu outra dose com apenas um sinal. O homem olhou para o outro, ainda surpreso por encontra-lo em um lugar como esse e com uma aparência tão cansada.
-A última vez que te vi tão cansado assim os franceses estavam decapitando os nobres-  disse ele com desdém.
-Ha, quem imaginaria que aqueles plebeus estariam tão putos com os nobres – respondeu o outro homem enquanto suas bebidas chegavam – a ultima vez que eu te vi tão cansado assim as pirâmides ainda nem estavam prontas!
Os dois homens conversavam em voz baixa, sem nunca olhar um para o outro. Fitavam apenas o fundo de seus copos. Mais uma rodada de bebidas, mais comentários. Outra rodada. Outro comentário.  Rodada. Comentário. Rodada... Comentário...
Eles continuaram assim até o bar ficar completamente vazio. Então os comentários eram feitos em voz alta. Comentários. Rodada.
Os dois homens só pararam quando o dono do bar anunciou que iria fechar. Em completo silencio deixaram o dinheiro no balcão e  cambalearam em direção à porta. Colocaram seus casacos e saíram para a noite fria e barulhenta da cidade. Sem dizer uma palavra viraram em direções opostas e cada um seguiu seu caminho. Tão cansados quanto estavam quando chegaram. Na verdade, um observador atento notaria que seus ombros estavam levemente mais eretos, suas cabeças não tão baixas e os suspiros menos frequentes.

A cidade continuava agitada mesmo nas horas que precedem o amanhecer. O som dos carros, trens e pedestres podiam ser ouvidos a quilômetros de distancia. As calçadas lotadas tornavam difícil se locomover sem empurrar ninguém. Há essa hora ninguém prestava atenção em nada, cansadas de uma noite mal dormida e desejando apenas o conforto de seus lares, as pessoas mal prestavam atenção ao seu redor, todas a caminho de seus trabalhos. Aparentemente isso nunca iria mudar. Elas se sentiriam melhores se soubessem que isso também acontecia na Inglaterra da Revolução Industrial? Não, provavelmente não.




Prompt retirada de http://writing-prompt-s.tumblr.com/post/148413174451/you-and-your-worst-enemy-are-immortal-you-got